O machismo histórico, cujas raízes alcançam ainda nosso tempo, e a cultura patriarcal alimentada ao longo dos séculos continuam dando sentido à celebração do Dia Internacional da Mulher, que o mundo comemora em 8 de março.
A justificada luta pela igualdade continua, porém, a desencadear-se perante um cenário de vida de muitos milhões de mulheres, marcadas por múltiplos fatores discriminatórios. Mesmo quando se encontram em centros de decisão, não assumem o devido protagonismo político porque os seus discursos dependem muito da perspectiva masculina.
A caminhada emancipatória da mulher foi sempre marcada por dificuldades e a própria data comemorativa assenta-se sobre uma tragédia. Em 1857, as operárias de uma tecelagem norte-americana foram queimadas vivas por seus patrões dentro da fábrica onde trabalhavam, por terem entrado em greve, reivindicando a redução da jornada de trabalho.
Se o objetivo era calar aquelas vozes discordantes, o resultado foi bem outro. O século XX alvoreceu com uma nova mentalidade em relação às mulheres, que adquiriram maior consciência de seu estado de discriminação e passaram a se empenhar na luta por sua realização como pessoas plenas.
Em 1934 as mulheres brasileiras pela primeira vez foram às urnas, evidenciando-se o despontar de uma mulher sujeito da História, conquistando respeito e tendo uma participação efetiva nos diversos setores da sociedade. E hoje, as mulheres estão no mercado de trabalho com toda força e desempenhando com competência tarefas antes exclusivas dos homens. Isso, no entanto, não significa o fim da discriminação, pois, em muitos casos, ainda há diferenças salariais entre homens e mulheres no desempenho de uma mesma função. Sem esquecer, que a mulher trabalhadora, na maioria das vezes exerce função tríplice: a atividade profissional, o zelo da casa e a educação dos filhos.
As homenagens que se rendem às mulheres, em toda a parte, são amplamente justas e merecidas. É preciso, porém, que não sejam um fim em si mesmas, mas que se incorporem no viver cotidiano da sociedade, para que as mulheres sejam cada vez mais mulheres, com toda a plenitude do seu ser.
O Cântico dos Cânticos apresenta como lugar de revelação e manifestação de Deus a aliança entre o homem e a mulher em termos de igualdade, sem submissões. A mulher é apresentada como companheira do homem, ao mesmo nível e com a mesma dignidade. O livro do Talmude, uma coleção de leis religiosas e explicações da Bíblia para os judeus, descreve uma interessante interpretação da criação da mulher: “Deus não criou a mulher da cabeça do homem, para que o dominasse; nem dos seus pés, para que fosse sua escrava; mas do seu lado, para que permanecesse perto do seu coração”.
É preciso que os homens, embora correndo o risco de perder alguns privilégios, saibam colaborar ativamente, para que a justa igualdade de direitos se torne realidade. Caminhando juntos, abrir-se-ão perspectivas novas para a sociedade. Iguais e todavia diferentes, saibam, homem e mulher, na complementaridade, construir um mundo melhor.