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Fundador Oswaldo Zanello - ANO XXIV - N.º 1731.

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OPINIÃO - INSENSATEZ DA GUERRA (15/01/2009)

Há dezenas de milhares de anos, o ser humano vive em sociedade. Desenvolveu avanços tecnológicos inacreditáveis, porém ainda não aprendeu a conviver pacificamente em seu planeta, seu habitat natural. As guerras sempre foram uma das cruciais características humanas dos povos. É possível que a humanidade, ao longo de sua história, não tenha vivido um dia completo sequer de paz. Ou seja, é possível que em toda existência humana, em algum lugar do planeta sempre houve alguma guerra.
Até recentes dias, o alvo dos mísseis estava no Iraque. Agora a pontaria mira a região palestina, especificamente a Faixa de Gaza, explodindo casas, pontos estratégicos e gente. Milhares de desabrigados, centenas de famílias esfaceladas. Tudo por não haver, efetivamente, solução na linha dialogal. A linguagem humana não foi bastante para dirimir esse conflito que, na região, remonta aos tempos bíblicos. Restou, então, a linguagem que fala com línguas de fogo pela boca dos canhões e pelo espoucar de bombas, num idioma de dor, cuja conseqüência é tingida de sangue, horror e escombros.
Os paradoxos da guerra aproximam-se de contra-sensos, como o que se manifesta na solidariedade das nações que enviam recursos e ajudas ao mesmo tempo em que os bombardeios continuam produzindo vítimas. A linguagem humana não resolve, então falam as bombas, e geme e chora o povo e suas crianças, enquanto o mundo contempla...
As potências mundiais têm feito gastos astronômicos buscando chegar aos longínquos páramos do espaço, na tentativa de manter contato com possíveis civilizações alienígenas, seres extraterrestres. E volta o paradoxo intrigante: os humanos não conseguem bem se relacionar, em milênios de convivência, carecendo ainda de guerra, porque o diálogo não resolve e, no entanto, querem entender-se com seres de outros planetas. Busca o homem fazer contatos com os seres estelares, ao tempo em que é incapaz de compreender a linguagem dos demais seres vivos, seus companheiros de casa, que coabitam a mãe Gaia.
Talvez seja frutífero ao ser humano pervagar entre as estrelas, quem sabe encontre por lá, ou na contemplação do espaço sideral, respostas para perceber que, antes de trazer convidados, é de bom alvitre arrumar a casa, estabelecer a paz entre os anfitriões. Quem sabe, avistando a Terra lá das lonjuras do espaço, perceba a pequenez do nosso planeta e que a única etnia verdadeira é a humana; perceba também que “a humanidade é uma só, e este pequeno planeta é a nossa única casa. Se temos de proteger esta casa, cada um de nós precisa experimentar um sentimento vivo de altruísmo universal. Nosso planeta foi abençoado com vastos tesouros naturais. Se os usarmos adequadamente, todo ser humano poderá usufruir de uma vida rica e de bem-estar”, conforme sábias palavras do Dalai Lama. Há, pois, lugar pra todos nesta casa. Ela é “coração de mãe”...
“O cultivo do amor e da compaixão é a essência de todas as crenças”, reza a lição do líder tibetano, e todos os povos, mesmo os que estão em guerra, acreditam, a seu modo, em Deus. Esperemos que essa essência fale mais alto para que todos possam ter vida e paz - e não morte, não ódio, não fome, não pranto, não guerra - em abundância.

 


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