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Fundador Oswaldo Zanello - ANO XXIV - N.º 1731.

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EM NOME DA AMIZADE (23/7/2009)

Albert Camus, mui pertinentemente, disse que “a amizade é a sabedoria dos homens livres”. Costuma-se dizer que ninguém pode escolher a família em que nasce, mas é possível selecionar os amigos, que são como a extensão da vida. A amizade, um dos sentimentos mais nobres que existem, nasce de forma espontânea, pura e vai se desenvolvendo até chegar à maturidade.
A própria Bíblia diz que “quem encontrou um amigo encontrou um tesouro”. Pode-se até afirmar que, depois da paz íntima e da saúde, o amigo é o mais valioso tesouro da vida. Ele se sobrepõe à consangüinidade, aos laços de parentesco corporal, sendo, não raro, mais fiel e devotado do que muitos irmãos. Certamente, a paz e a saúde muito devem ao calor humano que cerca a criatura, facultando-lhe a harmonia e a paz de espírito.
Tão importante é a amizade para o convívio humano que foi incluída como data comemorativa em nosso calendário, sendo o Dia Internacional da Amizade celebrado a 20 de julho. Em nome desse nobre sentimento, e para contribuir com a reflexão sobre o assunto, brindamos nossos leitores com o texto que segue, do poeta Vinícius de Moraes:
“Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências... Alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar!
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem-estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos. A gente não faz amigos, reconhece-os.”

 


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