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Fundador Oswaldo Zanello - ANO XXIV - N.º 1731.

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EDITORIAL - ALÉM DOS LAÇOS DE SANGUE

O filho adotivo, em muitas esferas sociais, ainda sofre um estigma de preconceituosidade. Às vezes no próprio âmbito familiar e, comumente, no ambiente social, escolar e outros. Se a relação com os filhos oriundos de união conjugal nem sempre é fácil - “O problema é que filho não vem com Manual de Instrução”, dizem muitos –, com o filho adotivo há que se ter ainda maior atenção. O essencial, num e noutro caso, é que a criança seja educada, preparada para a vida, para a convivência harmoniosa em grupo, respeitando-se sua individualidade, para que cresça com dignidade, em acordo com valores vigorantes na sociedade.
Segundo o teólogo e psicólogo Luiz Schettini Filho, em sua obra Doce Doação, “No seu sentido mais profundamente existencial, o filho adotivo surge como um agente de realização e de prazer, mesmo quando sua trajetória é tumultuada e difícil. Nesse aspecto, em nada difere a filiação genética da adotiva. A filiação por adoção carrega o mito da dúvida sobre o acerto da escolha, levando muitas pessoas a assumirem uma atitude preconceituosa e, portanto, inadequada, sobre o seu futuro. Nada do que é passível de acontecer ao filho adotivo deixa de sê-lo, também, ao ‘filho biológico’.”
Um comentário ao livro Carão com Carinho, do mesmo autor, bem ilustra essa necessidade educacional: “Em um mundo em que os pais, a cada dia, são ameaçados na sua autoridade pela pressão externa e pelas tensões familiares, aprender como ajudar os filhos, dando-lhes referenciais para se sentirem seguros de si e conscientes dos seus limites nas relações com as outras pessoas, é tarefa de relevância pedagógica. A repreensão com afeto é possível. Mais que isso: só com afeto é que os limites são estabelecidos com eficiência, tornando-se duradouros.”
O autor citado acentua, na obra Doce Adoção, os laços afetivos sobre os biológicos, na criação dos filhos: “No filho adotivo não se realiza a marca genética nem se satisfaz a expectativa social da ‘normalidade’ reprodutiva. Parece que perdura na cabeça das pessoas a necessidade da reprodução como um atestado de capacidade fisiológica. Não se consideram todos os outros laços que, na pessoa humana, ligam os genitores a seus filhos. Certamente, das ligações familiares, as mais limitadas são as que se referem aos aspectos genéticos. As relações afetivas constituem o grande arcabouço das ligações interpessoais, que perduram, renovam-se e compõem a dinâmica da vida.”
É bem do conhecimento geral que os pais que fazem diferença no processo de socialização/educação dos filhos são os pais que com eles convivem e fornecem toda a base para a formação do caráter e da personalidade dessas crianças. Em grande parte, o ser humano é produto do meio e, não há melhor meio do que o familiar, onde convivem e se relacionam afetivamente pais e filhos para produzir um ser humano equilibrado, apto a conviver socialmente. Nesse caso, “a inexistência dos laços genéticos não invalida as relações parentais.”
O importante é não perder de vista que o seio familiar é essencial e continua como célula mater, célula mãe, matéria-prima para a formação/construção humana, (mãe vem do latim mater, que significa matéria). E, nesse ambiente, são importantes os laços sangüíneos, mas são ainda mais importantes, os laços afetivos, o calor aconchegante de um lugar propício à vida.

 


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