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Fundador Oswaldo Zanello - ANO XXIV - N.º 1731.

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EDITORIAL - Chuvas no Espírito Santo (05/11/2009)

Depois de meses de estiagem, chegaram as chuvas, trazendo novo ânimo, sobretudo aos produtores rurais e aos pecuaristas. O volume de água, no entanto, dada a intensidade das chuvas – praticamente 8 dias seguidos – provocou estragos e pôs ao desabrigo centenas de milhares de capixabas. Pontes arrancadas, ruas que se transformaram em rios, casas invadidas pela água, rodovias interditadas, desmoronamentos e até gente morta devido aos transtornos provocados pela chuva. Dez municípios decretaram estado de emergência, e um estado de calamidade pública.
Em Colatina foram muitos estragos, a ponto e o municipio entre os que decretaram estado de emergência.
No âmbito urbano são piores os efeitos devido à concentração humana e à ocupação indevida de muitos locais, uns por oferecerem risco de desabamento, outros por serem muito próximos dos leitos dos escoadouros naturais das águas. Nesse sentido, não de há se culpar somente a natureza, mas também a própria imprevidência humana.
No meio rural a chuva é sempre bem-vinda se vem na medida certa, mas costuma também causar dissabores e prejuízos quando exagerada, pois destrói lavouras, hortas, danifica estradas, gera erosões, arrasta pontes, entre outros, tantas vezes inevitáveis. No entanto, por haver também maior cobertura verde, sempre resta o consolo da terra molhada acenando para a recuperação de mananciais e novas possibilidades.
É comum, nessas tragédias climáticas, principalmente no universo urbano, lançar a culpa dos estragos às autoridades. Obviamente a maioria das administrações não isenta de culpa, porém, não se pode esquecer que boa parte da população contribui para que acidentes ocorram. Assim, muitos transtornos podem explicar-se pela falta de educação ecológica e cidadã, quando se atiram lixos e entulhos de toda ordem nos rios e córregos que cortam a cidade, nas encostas e espaços ermos, que, levados pelas enxurradas, entopem os canais de vazão, represando os escoamentos.
Esse problema do lixo traz anexo um outro, que são as possibilidades de doenças que as águas infectadas podem transmitir quando ebulem dos esgotos. Por isso, há que se criar uma cultura de previdência, seja por parte das autoridades que administram nossas urbes, seja por parte da população, de modo que todo o prejuízo - patrimonial, humano, social, psicológico ou outros - seja amenizado.
Há, via de regra, um dialetismo que acompanha as chuvas: uns as aplaudem como bênção, outros as repudiam pelos transtornos que provocam. Normalmente, quando pesadas, elas causam mais destruição do que trazem benefícios. A chuva, em si, comumente é um bem, porém, quando desaba de forma volumosa pode tornar-se desastrosa. Um dos aspectos negativos entre o meio rural e urbano é a consequente escasses de produtos, sobretudo verduras e legumes, e o consequente aumento dos preços nas feiras livres e supermercados, ou seja, chuva que, é ruin para o campo, o é também para o cidadão.
De uma forma ou de outra, seja no campo, seja na cidade, é preciso respeitar também as leis da natureza e, para isso, o velho chavão, segundo o qual “prevenir é melhor que remediar” ainda continua atual e válido, pois o infortúnio nunca acontece somente na casa dos outros.

 


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