A tragédia que as intensas chuvas provocaram no Rio de Janeiro, no início desta semana, com deslizamentos, ruas alagadas, estabelecimentos invadidos pelas águas, e um saldo de mais de cem mortos, causou estranheza, dada a ‘ferocidade’ com que a tempestade castigou a Cidade Maravilhosa. Assim como ocorreu em Santa Catarina no ano passado, esta do Rio, com ampla cobertura da mídia, foi de comover o País.
Também a capital capixaba vem sofrendo, com certa freqüência, com temporais, sendo o último deles também no início desta semana, causando alagamentos e muitos estragos. Da mesma forma, chuvas pesadas vêm ocorrendo em muitas regiões, não só por aqui, mas também em outros países. Certamente que há alguma desordem climática causando essa intensidade desordenada de chuvas e, também nevascas surpreendentes, como ocorreu recentemente nos EUA.
Obviamente que, ante a fúria da natureza, em sua mescla de chuvas e ventos fortes, não há muito o que fazer, pois os resultados, no mais das vezes, são imprevisíveis. Porém, muitos estragos podem ser minimizados quando cuidados e trabalhos preventivos são realizados a contento.
No âmbito urbano são piores os efeitos devido à concentração humana e à ocupação indevida de muitos locais, uns por oferecerem risco de desabamento, outros por serem muito próximos dos leitos dos escoadouros naturais das águas. Nesse sentido, não há de se culpar a natureza, mas a própria imprevidência humana.
No meio rural a chuva é sempre bem-vinda se vem na medida certa, mas também causa dissabores e prejuízos quando exagerada, pois destrói lavouras, danifica estradas, gera erosões, arrasta pontes, entre outros, tantas vezes inevitáveis. No entanto, por haver também maior cobertura verde, sempre resta o consolo da terra molhada acenando para a recuperação de mananciais e novas possibilidades.
É comum, nessas tragédias climáticas, principalmente no universo urbano, lançar a culpa dos estragos às autoridades. Obviamente a maioria das administrações não está isenta de culpa, porém não se pode esquecer que boa parte da população contribui para que acidentes ocorram. Assim, muitos transtornos podem explicar-se pela falta de educação ecológica e cidadã, quando se atiram lixos e entulhos de Toto dipo nos rios e córregos que cortam a cidade, nas encostas e espaços ermos, que, levados pelas enxurradas, entopem os canais de vazão, represando os escoamentos.
Esse problema do lixo traz anexo um outro, que são as possibilidades de doenças que as águas infectadas podem transmitir. Por isso, há que se criar uma cultura de previdência, seja por parte das autoridades responsáveis pelo bem-estar dos cidadãos, seja por parte da população, de modo que todo o prejuízo - patrimonial, humano, social, psicológico ou outros - seja amenizado.
De uma forma ou de outra, seja no campo, seja na cidade, é preciso respeitar também as leis da natureza e, para isso, o velho chavão, segundo o qual “prevenir é melhor que remediar” ainda continua atual e válido, pois o infortúnio nunca acontece somente na casa alheia.