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Fundador Oswaldo Zanello - ANO XXIV - N.º 1731.

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EDITORIAL - A força da jabulani (24/6/2010)

Há alguns séculos já se sabe – graças aos esforços de Galileu Galilei – que a Terra é redonda e que gira... feito uma bola. Nestes dias, porém, graças ao clima da Copa, pode-se dizer que o mundo é que gira em torno da bola. Pra ser redondo, do futebol. A bola, um esporte, com força para mover o mundo.
Na verdade, uma festa que reúne nações, mesmo com suas divergências e o calor, nem sempre tão tolerável, das disputas. Cenas menos amistosas aqui e acolá, no mais das vezes, não fazem esmaecer o brilho desse fabuloso torneio esportivo.
Em primeiro plano, a motivar esse congrassamento planetário, está o futebol e, como combustível de cada equipe, ferve o patriotismo de quantos vêem os atletas como verdadeiros heróis de seu país a lutarem pela glória das glórias: o título. Basta ver em nosso Brasil, por todos os cantos e recantos, das empresas aos bares de esquina, nas ruas e prédios, as cores verde e amarela se fazendo moda de consenso, preferência de todos os brasileiros. Em cada partida, e, mais ainda a cada gol, desaparecem as críticas ao técnico e a decepção por craques não convocados. Vale é celebrar, fazer eclodir das gargantas vuvuzelas o grito uníssono festejando a jabulani que estufa ou se aninha no fundo das redes.
Outros planos há que também são especialmente interessantes. Obviamente que, a lastrear toda essa competição e sua estrutura, há rios de dinheiro e interesses econômicos de múltiplas frentes. E há sempre quem busca levar vantagem, nem sempre em nome ou pelo bem e beleza do esporte. É inegável, no entanto, o aspecto cultural e interativo que circunjaz a uma Copa do Mundo.
Primeiramente, que o torneio é uma ampla janela a mostrar o país-sede para todo o mundo. É como se passasse a figurar no mapa em alto relevo, sendo assunto antes, durante e depois da competição. A cultura, as peculiaridades do povo e da nação tornam-se lugar comum na mídia, nos lares de milhões de pessoas mundo afora. Certamente não são somente os brasileiros a estarem já familiarizados com palavras que se fizeram comuns a todos, como vuvuzela, jabulani, Bafana-Bafana, Waka-Waka, além de comidas típicas, pontos turísticos, canções, costumes locais entre tantos outros, que fazem, como nesta Copa, a África do Sul deixar, o sul da África,e perder sua referência geográfica, para estar, pelo menos por um tempo, em todos os continentes, regiões, lugares, lares, bares...
Como evento esportivo de proporções internacionais que é, espera-se que a Copa do Mundo, mesmo com acirradas disputas, tenha, como fio condutor mais importante, a força de costurar relações duradouras entre as pessoas das diferentes culturas, dos diferentes povos que, direta e indiretamente estão envolvidos com este que é o clímax do futebol. E, ainda na esteira dessa utopia, que a Copa do Mundo, com seu espírito de confraternização, possa ser exemplo a se aplicar também nos âmbitos da política, da economia, da religião etc., de modo que os países deste belo planeta saibam trocar passes espetaculares em nome da vida, do respeito às diferenças, ao meio ambiente... para engrandecimento do próprio homem e da humanidade.

 


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