CRISE ÉTICA I
Impressionante a manchete de um jornal de circulação ampla na Web (G1 Notícias): “... Homem que achou R$ 6 mil na rua devolve dinheiro ao dono”. E a notícia diz que um aposentado sacou R$ 6 mil do banco na semana passada, dia 19, dinheiro que recebeu de uma herança. Na saída da agência o dinheiro caiu na rua e logo em seguida foi encontrado por um comerciante que devolveu o pacote ao banco. Havia uma etiqueta da instituição. A gerente e o caixa da agência conseguiram identificar o dono e lhe entregaram o dinheiro.
Diante disso, nossos compadres filósofos, ou vice-versa, puseram-se a falar dos “bons tempos”:
- É, cumpadi, taí um sinar dos tempo. Desdi piquinim insinaro pra genti qui honestidade era regra di cunvivença. Sê honesto fazia parti da pessoa, do caráte, da diguinidadi... i nóis aprendemo a vivê assim, lembra, cumpadi?!
- Craro, home! Sê home e sê honesto era a mesma coisa...
- Poizé! Vejo uma coisa dessa no jorná i fico inté triste: hoje, sê honesto tá tão difíci, qui quando acuntece um causo desse, vira inté notícia nacioná...
- É di vera, cumpadi. O trem tá feio i tá vindo disguvernado pru nosso lado.
CRISE ÉTICA II
É. O trem ta feio mesmo. Nem bem se realiza, na terça-feira, 24, o lançamento do Programa de Ética e Transparência Eleitoral, visando, justamente combater a compra e venda de votos, eis que na quarta-feira, 25, a seguinte manchete figura numa página de jornal (Folha Vitória): “Eleitor vende voto na internet por R$ 550 e ainda divide em 12 parcelas”. Diz a notícia que “Apesar de toda a campanha contra a prática de crime eleitoral ainda tem cidadão que não leva a iniciativa a sério e ainda oferece na internet votos para o candidato que tiver interesse em comprá-lo. Pode parecer brincadeira, mas há vendedores que se cadastraram em um site de comércio eletrônico e vende o voto por R$ 550, divididos em até 12 parcelas no cartão de crédito ou boleto bancário”.
Aí, é de se perguntar: nesses tempos em que a “ética” de muitos é o utilitarismo de “levar vantagem em tudo”, como acreditar nas mudanças?
- O pio, cumpadi, é que tem muitos candidato i pilítico já feito, que acaba abraçano tumém as bandera da moralidade, da lisura, justamenti pra camuflá seus comprtamento sem corqué ética.
- É vero, cumpadi... Inté os livro Sagrado já alertava pros lobo im pele di cordero.
- Temo que tomá tento, cumpadi, muito tento.
- Eu tento, cumpadi, eu tento.