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Fundador Oswaldo Zanello - ANO XXIV - N.º 1731.

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DEFICIÊNCIA E PLENITUDE

Começada a quaresma, entra em ação a Campanha da Frater-nidade. Neste ano com o tema: Pessoas com deficiência. E com o lema: Levanta-te, vem para o meio!
Desta vez todos se dão conta da oportunidade do tema, que despertou grande interesse antes mesmo da campanha começar. Isto é positivo. Já foi criada a expectativa de uma campanha com profunda incidência social e eclesial.
A realidade da deficiência é trazida para o centro de nossas atenções. E acabamos nos surpreendendo com o profundo significado humano que ela traz, e com a luz que o Evangelho projeta sobre ela, mostrando sua fecundidade cristã e a grande potencialidade de crescimento que ela pode estimular.
Desta vez, a própria formulação do tema - Pessoas com deficiência - passou por ampla reflexão, até se chegar ao consenso sobre a maneira de abordar a deficiência sem projetar sobre ela preconceitos culturais e religiosos que a tradição foi forjando ao longo do tempo.
O tema logo sugere que a deficiência não diminui o valor da pessoa. A rigor, as pessoas podem ter, - e quem não tem? - alguma deficiência. Mas com isto não são “pessoas deficientes”. Até ao contrário. A deficiência pode se tornar para a pessoa um estímulo a crescer mais profundamente em sua realização humana e cristã.
Assim, está colocado o verdadeiro significado desta Campanha da Fraternidade: ela faz a ponte entre a deficiência e a plenitude. Ela aponta o caminho para transformar a deficiência em caminho de realização. E desta maneira superar os preconceitos que foram introjetados na sociedade e na própria Igreja, mudando nossa maneira de pensar e nossas atitudes diante das pessoas com deficiência.
De novo se constata como a Campanha da Fraternidade ajuda a concretizar as propostas da quaresma. Ela serve de “bom samaritano”, a nos acompanhar ao longo da caminhada quaresmal, indicando os que foram jogados pelos preconceitos “à beira do caminho”, para reintegrá-los em nosso convívio fraterno, tornando-nos todos solidários em nossa condição humana.
A campanha revela também a permanente validade do Evangelho, mostrando aspectos desapercebidos. Surpreende ver a maneira como Cristo tratava as pessoas com deficiência, e como derrubava os preconceitos que existiam contra elas.
O lema da Campanha recorda uma dessas ações de Cristo. Ele pediu ao homem de mão seca que se levantasse, e viesse para o meio.
Na verdade, todo o Evangelho de Cristo consistiu nisto: colocar no meio as deficiências humanas, para mostrar como elas se destinam a ser caminho de purificação e de crescimento para todos.
Entendemos melhor a afirmação de Cristo, ao explicar porque a pessoa tinha nascido cega: “para que através dela se manifeste a glória de Deus”.
A deficiência se torna paradigma da condição humana. Revela nossa limitação. Ao mesmo tempo, estimula nosso crescimento. Assim, ela nos ajuda a compreender o sentido mais profundo da existência humana. Somos criaturas carregando a limitação, mas buscando no Criador nossa plenitude.
A deficiência é encarnação do Evangelho. O próprio Cristo assumiu a limitação humana, para que todos pudéssemos encontrar a plenitude da vida.
Esta Campanha é profundamente evangélica. Colocando no meio as pessoas com deficiência podemos desencadear novamente o processo do Evangelho. E experimentar a força do amor de Cristo, que transforma as deficiências humanas em caminho da plena realização que ele atingiu no seu mistério pascal, que a quaresma nos prepara a celebrar.

Dom Demétrio Valentini
Bispo de Jales, São Paulo.

 


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