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Rogerio Rezende

O futebol tem salvação? (04/05/2012)

O futebol tem salvação?
vai mal das pernas e a torcida sente saudade dos velhos tempos em que o time local tinha garra suficiente para disputar o título com os grandes da capital. Para falar de futebol e esportes em geral, o Folha do Norte conversou com o cronista esportivo Rogério Rezende. Ele acompanha absolutamente tudo que acontece de importante também em outras modalidades, como o handball e futsal. Com senso crítico, ele concedeu a seguinte entrevista:
FN — Vamos começar falando do passado, presente e futuro do futebol profissional colatinense. Como você compara a atividade de 20/30 anos atrás e o que se vê hoje nos campos? Qual será a participação do Colatina daqui pra frente?
Rogério Rezende — A verdade é que não mudou muito, a estrutura do futebol capixaba. Tirando clubes centenários como Rio Branco, Vitória e Desportiva, os outros, com raríssimas exceções, sempre foram patrocinados pelo poder público, e a partir do momento que a prefeitura retira o seu apoio, esse time acaba. E o Colatina Sociedade Esportiva segue essa linha.
FN — Em sua opinião, se os dirigentes colatinenses quiserem montar um elenco competitivo devem contratar atletas mais caros e renomados de outros lugares ou eles podem contar com a “prata da casa”, ou seja, craques daqui mesmo?
RR — Tem que apostar na prata da casa, mas para isso tem que se criar um projeto que incentive e principalmente dê condições para que esses atletas possam viver apenas praticando o futebol. Para formar um time campeão basta se espelhar nos campeões estaduais do passado, ou seja, tem que contratar jogadores que já estão acostumados ao futebol capixaba.
Somando um bom projeto para as categorias de base e contratando cirurgicamente os principais jogadores do estado, assim poderemos voltar a ser campeões.
FN — Qual a explicação de clubes do interior, como JaguaRé e outros, terem times que se destacam no futebol profissional capixaba, enquanto o colatinense é rebaixado para a segunda divisão?
RR — Uma resposta curta e simples: eles sabem contratar melhor, porque dinheiro esse ano o Colatina teve.
FN — Tempos atrás, nas décadas 70/80, o futsal tinha destaque nas quadras de Colatina, com equipes que emocionavam o torcedor, como o famoso Saporeka. Já na década de 90 o UNESC montou uma equipe poderosa. Fale um pouco dessa
história e como está o futebol de salão hoje em Colatina.
RR — Sem dúvida o futsal é uma grande paixão dos colatinen- ses. Essa paixão se deve a formação de suas equipes, que eram montadas com atletas da cidade, isso nas décadas de 70/80. Já o objetivo do UNESC era fazer uma revolução no futsal capixaba, onde a sua diretoria contratou jogadores com passagens até pela Seleção Brasileira, e iniciou uma linha profissional dentro do estado. Mas por trás desse objetivo, tinha uma estrutura voltada para o surgimento de atletas criados em suas categorias de base, que até hoje segue no seu ginásio, apesar de poucos saberem disso.
FN — Enquanto nosso futebol está em baixa no campo profissional, a atividade aparentemente cresceu entre os times
de bairros. Quais competições e atletas merecem destaque?
RR — Colatina hoje é uma cidade esportiva, isso graças a essa administração que se preocupa em dar condições e variedades no esporte. Cerca de três mil crianças participam dos vários núcleos esportivos espalhados pela cidade, além de natação, handebol, voleibol, karatê, e por aí vai. E o potencial de alguns atletas acaba se destacando em competições como campeonatos de categoria de base de futsal e futebol de campo, onde envolve jovens atletas de 8 a 17 anos; campeonatos de bairros de futebol de campo e futsal, onde os bairros participantes são obrigados a colocar uma equipe sub 13. Isso favorece o surgimento de novos atletas.
FN — Quais outras modalidades esportivas você tem acompanhado aqui em Colatina e que merecem incentivo do torcedor e apoio do poder público e dos empresários?
RR — No geral todas as modalidades merecem ser vistas com carinho, não só pelo poder público, mas também pelos empresários. Mas com certeza, além do futebol de campo, que sempre será o carro-chefe de todos os esportes, o handebol colatinense, que está na Liga Nacional, vai disputar a sua terceira liga esse ano. Acho que se houver um pouco mais de ajuda financeira no handebol, nós poderemos em curto prazo estar disputando em condições de igualdade com as equipes do sul do país. O futsal é outro esporte que sempre foi muito bem recebido pelos colatinenses. No ano passado voltamos a conquistar o titulo estadual.
FN — No passado, os grandes times da capital (Desportiva e Rio Branco principalmente) se destacavam no campeonato capixaba, pois tinham ótima preparação e bons elencos. Mas pa¬rece que essa realidade também mudou. Afinal, o que está acontecendo com o nosso futebol de uns 10 anos para cá?
RR — Como já falei antes, esses clubes tradicionais quase não têm ajuda do poder público, já os “times de prefeitura” têm apoio. E como qualquer outro profissional, os atletas vão jogar nas equi¬pes que demonstram um projeto no qual eles possam ter todas as condições de trabalho, tanto dentro como fora de campo. Mas às vezes, mesmo com toda essa boa estrutura, como aconteceu no Colatina S. E. nesse ano, tem que saber contratar, senão ...acaba como na segunda divisão.
FN — Atualmente você está coordenando uma escolinha de futebol junto com o veterano jo¬gador Jorginho de Souza. Como está sendo a repercussão entre a garotada? Será que teremos alguns craques no futuro?
RR — O que me colocou meSmo neste novo projeto foram os meus filhos, gêmeos, Bernardo e Eduardo, que juntamente com os seus coleguinhas mostraram que tinham potencial. Decidi criar uma equipe, batizada de Juventude Futsal, e assim no ano passado participamos do campeonato categoria de base de Colatina, categoria sub-9 e logo em seguida fomos participar do Torneio do Café em São Gabriel da Palha. Conversando com Jorginho de Sousa, que dispensa qualquer comentário sobre a sua capacidade, apareceu esse ano a oportunidade de iniciarmos nosso trabalho na Escola Passionistas, em São Silvano, onde estamos com cerca de 40 alunos, com idade entre 8 a 11 anos.

 


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