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Após as 17h os veículos tentam achar um espaço para atravessar o rio Doce.

O pesadelo diário (29/07/2012)

Hoje o dia a dia do colatinense conta um estresse certo: atravessar a ponte que no fim de tarde
recebe 1.400 veículos por hora. No passado era tranquilo com um carro por vez.

Ponte Congestionada
Depois das 5 horas da tarde a ponte Florentino
Avidos, no sentido Centro-São Silvano se transforma em um formigueiro.
São mais de 1.400 veículos por hora, segundo dados divulgados
pelo Secretário Municipal de Transportes, Renan Bragatto.
O problema do congestionamento na principal ponte da cidade atinge
a todos, pois enquanto o empresário tenta amenizar a impaciência
no conforto do automóvel com ar condicionado e som, centenas de
usuários se acotovelam nos ônibus durante os 20 minutos ou mais para
chegar a seu destino.

Média Diária
A estatística revelada por Bragatto foi feita em 2010, quando se
registrava, em média, uma circulação de 1.188 veículos por hora na
ponte, com acréscimo de 30 % no horário de pico, de 17 às 19 horas,
de segunda a sexta-feira. Aos sábados, o problema se repete praticamente
durante toda a manhã. Para controlar o tráfego, são destacados
dois guardas municipais.

Quatro Pistas
No começo da noite, na saída do trabalho, quem precisar
atravessar a ponte, tem quatro caminhos dependendo de onde
vem: passar pela praça de táxi, pela frente do Iate Clube, onde tem
um ponto de ônibus, pela rodoviária ou vindo do SESC. Afirmam
as autoridades que não há solução a curto prazo. Estudos e planos
para ampliação da Florentino Avidos estão sendo feitos.

Projeto não está definido
Foi divulgado que haverá ampliação da passarela para ciclistas
e pedestres, porém, isso não resolverá o transtorno maior, que é o
tráfego intenso de veículos. Existe a ideia de se construir mais uma
pista. A construção dessa terceira via não foi confirmada pelo
DER. O Diretor de Obras Especiais do Departamento, Eduardo
Manato, estará em Colatina nesta segunda-feira, 2 de julho, prestando
esclarecimentos na Câmara de Vereadores, às 18 horas. Segundo
fontes extra-oficiais, não é possível a construção da terceira pista.

Planos
A Secretaria de Transportes contratou em 2010 a empresa LR
Engenharia de Estudos de Trânsito, que mapeou vários pontos de
congestionamento em Colatina. Foram sugeridas mudanças para
melhorar o tráfego no Centro. Uma delas seria a retirada do ponto
de ônibus em frente ao Iate Clube que iria para perto da rodoviária,
onde estacionam os caminhões de frete. Com as propostas em mãos,
Renan Bragatto disse que a prioridade será o transporte coletivo.
Outra opção é a construção de uma via elevada que permitirá que
os veículos vindos de São Silvano passassem por cima da cabeceira
da ponte com direção a Avenida Beira Rio e bairro Colatina Velha,
não passando pelo centro. Tudo isso está previsto no Projeto
de Modernização de Circulação Viária do Centro de Colatina. Entretanto,
a solução apontada por todos para resolver de uma vez o
problema será a construção da terceira ponte, mas isso depende de
força política e verbas públicas.

Motos e agentes
Já foi realizado um concurso público para contratação de 30
agentes que darão apoio operacional no controle do tráfego da
cidade, segundo revelou Bragatto, acrescentando que está prevista a
aquisição de três motos e um carro.

Tráfego tranqüilo
O comerciante Domingos Riva, 86 anos vivendo em Colatina,
50 anos de comércio na loja A Brasileira, relembra: em 1942 havia
pranchões de madeira na ponte Florentino Avidos e somente três
anos depois ela foi pavimentada com concreto. Naquela época,
passava apenas um carro de cada vez, especialmente pequenos caminhões,
como o Ford 29, que transportava 20 sacas de café. Aliás, também eram freqüentes
tropas de burros levando no lombo a maior riqueza da região, na
época. Somente em 1947 a ponte ganhou mão dupla. Ele lembra
que a explosão do trânsito se deu em Colatina, a partir do governo
Collor.

Posto Rio Doce
O Posto Rio Doce fica localizado próximo a cabeceira da
ponte, chegando ao centro e seu proprietário, Eduardo Damiani,
também é testemunha da tranqüilidade dos velhos tempos. Ele
conta que a freqüência de veículos era tão pequena, 20 ou 30 anos
atrás, que até conhecia as placas dos carros, a quem pertencia e
outros detalhes da família. O estabelecimento, fundado por seu
pai, Severino Damiani, existe há 45 anos. Hoje, Eduardo sorri e diz
que mal reconhece tantos modelos de veículos que circulam por ali.

Ônibus
Quem mais sofre, a partir das 17 horas, são as centenas de passageiros
que dependem dos ônibus lotados. Cirlene Schimidt Henk
trabalha no centro e mora no bairro Vila Amélia. Ela embarca no
ponto do Iate Clube às 17:15 e só chega em casa após 30 minutos de
viagem. Em véspera de feriado, o tormento costuma durar até uma
hora, praticamente uma viagem de Colatina até Ibiraçú. Em nossa
edição anterior, divulgamos os dados oficiais da Ciretran: o
município possui uma frota de 46.883 veículos. Só de automóveis
são 23 mil e ônibus, 520. É muito carro para pouco chão.


Com poucos caminhões, o passado era tranquilo.

Domingos Riva: “em 1942 havia pranchões de madeira na ponte Florentino Avidos”
 


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