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Fundador Oswaldo Zanello - ANO XXIV - N.º 1731.

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Vestuário é o setor mais importante de Colatina (29/06/2012)

O vestuário da indústria de confecção é o setor da economia com maior potencial de negócios e crescimento de Colatina, afirma Marcos Guerra, presidente da Findes, Federação das Indústrias do Espírito Santo. “Estamos avançando em investimentos tecnológicos, inovação e ganho de competitividade, com redução de impostos para o setor. Com a forte influência das novelas brasileiras na moda, de se vestir, os países da comunidade de língua portuguesa na África, além de Europa e Estados Unidos, são os principais compradores.

Quais os resultados concretos do Congresso do Empreendedor
Lusófono, que acabou de acontecer? Marcos Guerra: O 2º Congresso
do Empreendedor Lusófono foi um grande sucesso. Ainda não
temos os dados finalizados do evento em relação ao volume total
de negócios realizados (o resultado sai em julho) entre os países
envolvidos. Mas o evento gerou um excelente ambiente para novos
negócios em geral (e não somente entre os países da Comunidade),
e dois grandes empreendimentos foram anunciados durante o Congresso.
Um deles é a construção de três unidades da rede internacional
de Hotéis Inter Cities, em Vitória e Serra, com investimentos na ordem
de R$ 75 milhões, vislumbrando o público-alvo de executivos. O outro
grande anúncio veio do Grupo Gazin, considerado um dos maiores
grupos empresariais do país e que vai investir R$ 30 milhões
numa fábrica de estofados emLinhares. Ambos os empreendimentos
devem começar suas obras ainda neste ano.
Independente do resultado final, podemos comemorar
a iniciativa, pois a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
(CPLP) representa um enorme potencial para o empresário capixaba,
principalmente os de pequeno e médio porte, pois além da ausência
da barreira da língua, temos excelentes condições de negócios,
particularmente em Angola e Moçambique, dois dos países que
mais crescem no continente africano. A presença de empresários e
autoridades dos países da Comunidade veio como uma espécie de
facilitador, pois eliminou intermediários na concretização de novos
negócios. Quando realmente os negócios
começam e qual a participação do ES?
Marcos Guerra: Além dos resultados citados acima, ficou a
prospecção em varias empresas com a possibilidade de inicio de
negócios nos próximos 6 meses. Quais os setores da economia
estão envolvidos? Marcos Guerra: Entre os
setores com maior potencial de negócios a curto e médio prazo,
temos: vestuário e confecção (forte influência das novelas brasileiras
nos costumes destes países, além de nossos produtos de vestuário
serem considerados de alta qualidade), agronegócio (grandes
áreas disponíveis para a agricultura em solo tropical, que o Brasil
domina), construção civil (países com acelerado processo de reconstrução
após anos de guerra civil), e mesmo o aumento considerável
de negócios nos setores onde já temos parcerias, que são alimentos e
bebidas, e moveleiro. O que é o contrato de competitividade
e o quê significa para a indústria das confecções?
Marcos Guerra: O Contrato de Competitividade para o Vestuário
Capixaba foi assinado no último dia 31 de maio, no Palácio
Anchieta. Trata-se de um trabalho articulado entre a Findes, a
Câmara Setorial da Indústria do Vestuário, e os sindicatos do setor,
para tornar este segmento mais competitivo, pois o mesmo
tem sofrido perdas constantes nos últimos anos por conta da concorrência
com produtos importados asiáticos (sobretudo a China), o
que poderia acarretar num sério processo de desindustrialização,
gerando desemprego e mesmo o fechamento de empresas.
Para a indústria, sem dúvida é uma excelente notícia, pois é um
dos setores que mais emprega mão de obra, inclusive no interior
do Estado, está presente inclusive em todo o país, e o fechamento de
empresas e de postos de trabalho geraria um enorme prejuízo não
somente econômico, mas principalmente social.
Entre os benefícios concedidos com o Contrato, está prevista
a redução da alíquota de ICMS de 5% para 3% para vendas interestaduais,
e também a criação de um fundo para financiar projetos
voltados para a inovação, que por sua vez gera maior valor agregado
ao produto e menor custo em sua produção. Desta forma, podemos
recuperar prejuízos e avançar em novos investimentos, incluindo a
enorme demanda do consumo interno, pois o setor é um dos que
mais crescem no comércio varejista. Maior valor agregado ao
produto capixaba, é um desafio. Como investir nisso?
Marcos Guerra: Precisamos investir em Inovação Tecnológica.
Toda a indústria capixaba precisa ter uma maior densidade tecnológica
em seu produto, e isso passa por investimentos em inovação.
Somos um Estado com cerca de 50% de sua economia baseada
na exportação de produtos de matéria-prima básica, que são as
commodities: petróleo, gás, minério de ferro, aço fundido, celulose,
rochas e café. Contudo, o produto finalizado, que muitas vezes é feito
com nossa matéria-prima, retorna ao país com um valor em média
10 vezes maior. Precisamos dominar tecnologias, criar patentes, construir
parcerias com o meio acadêmico, estimular a pesquisa e também a
criação de incubadoras de empresas que, por sua vez, prestem
serviços às maiores e, desta forma, podermos gerar maior valor
agregado ao produto capixaba. A criação de um Centro de Inteligência
em Inovação é uma das prioridades de nossa atual gestão
na Findes e temos atuado de forma intensa para viabilizá-lo no menor
prazo possível. Não há outro caminho a ser seguido que não seja o
da agregação de valor ao produto industrial capixaba através do uso
das possibilidades permitidas pela inovação tecnológica. Hoje, quais são as reais
perspectivas da indústria de confecções no município de Colatina,
especificamente? Marcos Guerra: Colatina continua sendo o maior polo de
vestuário do Espírito Santo. Nossas indústrias fornecem produtos
para os 27 estados da federação e algumas empresas ainda exportam
para Europa e Estados Unidos. Portanto, é um setor que continuará
sendo o mais importante de Colatina. Estamos avançando em
investimentos tecnológicos, inovação e ganho de competitividade
com redução de impostos federal e estadual. Acredito que a partir do
segundo semestre o setor irá apresentar resultados significativos.
É difícil ou como melhorar e viabilizar a melhoria da mão-deobra
local? Marcos Guerra: Temos forte atuação de SESI-SENAI-IEL na
região por conta de nossa Diretoria Regional. Estamos em constante
diálogo tanto com o poder público quanto com o empresariado a
fim de atendermos às suas demandas, e a qualificação profissional é
uma de nossas prioridades, pois os grandes investimentos previstos demandam por mão de obra especializada. Colatina não vive hoje a mesma violência de Serra e Linhares,
que receberam grandes investimentos. A escolha de setores
industriais influi no aumento da violência?
Marcos Guerra: Não necessariamente. Talvez o segmento
que mais fique prejudicado com o aumento da violência seja o
comércio, pois na indústria trabalhamos em produção de grande
escala, com muitos trabalhadores e não temos registros negativos a
respeito da influência da violência na decisão por novos investimentos
industriais. Além disso, a indústria demanda justamente
por trabalhadores qualificados,
que geralmente são moradores da região, o que diminui significativamente
a possibilidade da migração de trabalhadores de
outras regiões que, por sua vez, possam influenciar negativamente
no quadro de violência de uma região.

 


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