 Filogônio, o mestre (06/07/2012)
Um maravilhoso, autêntico e puro artista
vindo do povo é Filogônio Barbosa de Aguilar, “Filó”
para os mais chegados. Ele recebeu nossa reportagem em seu apartamento
no centro de Colatina, tendo como companheiro o cachorro
“Mouche” da raça shi tzu. O artista continua muito
ativo e nesse momento está pintando uma tela encomendada
pela Câmara de Vereadores de Itaguaçu, reproduzindo uma
foto da cidade de 97 anos atrás. Nascido em Malacacheta, Minas
Gerais, Filogônio mora em Colatina há 52 anos e, segundo seus
cálculos, já produziu mais de 4 mil obras, entre murais, telas e
afrescos. Tem pinturas espalhadas por vários locais públicos de
todo o estado, como a prefeitura e câmara municipal de Colatina,
igrejas de São Silvano e Honório Fraga,a indústria Café Meridiano
e, so mente na rede Extrabom de Supermercados, o artista pintou
murais em 14 lojas, cada uma retratando temas de cada cidade. Na
Grande Vitória, por exemplo, há imagens perfeitas do convento da
Penha, Pedra da Cebola, Terceira Ponte, Penedo e assim por diante.
Estilo
Filó é autodidata e, indagado sobre suas inspirações e
preferências de pintores consagrados, assume que desenvolveu sua
habilidade de forma totalmente livre e independente.
“Sou do momento, viajo em todos os estilos dependendo do
momento em que estou vivendo, do meu estado de espírito”, disse.
Temas bíblicos são constantes na obra de Filogônio. Na loja
maçônica Nilo Peçanha, próxima do Tiro de Guerra de Colatina,
estão expostos 26 quadros baseados nos evangelhos. Nesses casos,
ele procura reproduzir as cenas detalhadas na Bíblia, como a crucificação
e a santa ceia. Mas no conjunto de sua obra, podem ser
vistas telas de outros estilos - surrealista, impressionista, abstratos e
até nu artístico. Filó também vende seus quadros para pessoas que
desejam decorar suas residências e, segundo ele, os preços são “acessíveis”.
Ele revelou que o tamanho das pinturas feitas para as empresas
variam muito, e há algumas que chegam a ter até 14 metros de
comprimento.
Talento desde garoto
Nascido em 10 de junho de 1934, Filogônio já esboçava seu talento
para a pintura desde os 14 anos de idade. Sua primeira exposição foi
realizada em Teófilo Otoni (MG), no Automóvel Clube, em 1953. Nessa
ocasião, ele contava com apenas 18 anos de idade e até o governador da
época, Juscelino Kubistchek, esteve prestigiando a obra do jovem Filó.
Sua habilidade na pintura é reconhecida em todo o Brasil e um detalhe
que também chama a atenção é a desenvoltura para dar toques de humor
e sensualidade nas telas. Numa delas, ele faz uma adaptação ousada da famosa
Mona Lisa, de Da Vinci, nua, junto com a estátua do Pensador, de Rodin.
Escritor e Teatrólogo
Além de ter criado seis filhos, Filogônio ainda encontrou disposição
para se dedicar ao teatro amador. Foi responsável por várias peças apresentadas
no antigo Cine Idelmar, que, coincidentemente, hoje abriga o Supermercado
Extrabom, onde estão pintados vários murais de sua autoria.
O artista foi professor por 30 anos da Escola Agrotécnica Federal de
Colatina (Itapina) e na literatura já publicou cinco livros: Os Nove
Náufragos da Esperança, Os Tripulantes da Noite, O Diamante
Azul, Cinderela dos Cafezais e Poesias. Para os admiradores de
Filó, uma novidade: já está pronto, a caminho da gráfica, sua sexta
obra literária, intitulada A Bola do Juízo. Ele garante que são 31 “causos”
verídicos, todos recheados de muito humor, com linguagem coloquial
e ilustrações suas, no estilo caricatura. O livro deve ser lançado
em setembro próximo. Folheando algumas páginas, ele relembra as
histórias pitorescas, sorri da própria obra e completa: “bom humor e
trabalho resolvem as dificuldades e prolongam a vida”, que é justamente
o prefácio da publicação. Pelos títulos dos contos, é possível prever
que o leitor vai se deleitar quando ler, por exemplo, O Equinocídio,
O Pescador Pescado, O Pedido de Casamento, a Raiz Milagrosa e Um
Fantasma no Guarda-Roupa.
Arte Universal
O talento de Filogônio atravessou fronteiras e, além do Brasil,
suas telas já foram expostas na Alemanha, Itália, Estados Unidos e
Austrália. Nos últimos anos ele tem desenvolvido um trabalho mais impressionista
e surrealista com um colorido forte. Na opinião de Filó,
“através da arte podemos ver mais longe, voar mais alto e mergulhar
mais fundo”.

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