O sobrinho Douglas acaba de inaugurar seu estado de paternidade. Felizes estão ele e a esposa Jaqueline com o rebento que veio à luz há dois meses. Todos ainda em recíproca fase de adaptação: a criança com este novo mundo, muito diferente do aconchegante ventre materno, e os pais com esta nova criatura, da qual são anfitriões nesta Terra. Nascido um tanto pequenino, o filhote careceu de cuidados especiais neste início de caminhada em uma família, mas vem se adaptando muito bem. A última mensagem que recebi do neófito pai sobrinho, dizia: “Antônio já começou a aprontar. Esta madrugada foi longa! Antônio chorando sem parar... Lá pelas tantas, talvez para me recompensar do esforço, ele abriu um longo e demorado sorriso. Porém, senti meu braço molhado e logo concluí: ele não estava sorrindo, estava ‘obrando’”.
Na troca de mensagens, com ele comentei algo sobre as dificuldades de se ser pai pela primeira vez, das noites insones, dos sobressaltos a cada gemido, das diferentes personalidades de cada bebê, e como tudo isso “é um cansaço gostoso, honroso, talvez, que assumimos com gosto. Pouco importa se a gente dorme, ou não, mas o fato de estar junto é gratificante, mesmo para limpar cocôs, trocar fraldas, suportar choros... Nessas horas costumamos reconhecer e valorizar melhor nossos pais.” Eis, aí, por certo, uma das boas razões do preceito bíblico que orienta os filhos a honrarem os genitores.
Antes da experiência da maternidade e da paternidade nem sempre se dimensiona com clareza de consciência a profundidade desse mandamento. A partir do momento em que se passa a ser pai e mãe, a ser família de fato, não há como não “cair na real” sobre a importância paterno-materna em nossas vidas. A bem da verdade, o casamento começa mesmo é com o nascimento do primeiro filho. Viver juntos, enquanto casal é um aprendizado constante, pois conviver cotidianamente não corresponde aos contos de fada, mas conviver cuidando de um filho ou filha é algo que não se aprende sem que se viva intensamente a experiência. E que experiência! Como no reino animal a espécie homo é a que mais tempo leva para tornar-se independente - só para andar sozinho são cerca de 10 meses -, a presença da mãe e do pai é indispensável para que a criança sobreviva, cresça e aprenda a conviver. E não é só para a vida individual que essa presença se faz necessária. O núcleo família é imprescindível, também, para a vida coletiva, a vida em sociedade. Não é por outra razão que a ciência sociológica afirma ser a família a célula básica, a célula mater (mãe, matéria-prima) da sociedade.
E como estamos às vésperas do dia dedicado aos pais, vale ressaltar essa figura que, ao lado da mãe, tem fundamental e benfazeja influência no equilíbrio do lar. Para dizer isso de forma mais profunda, emprestamos as sábias e belas palavras da terapeuta familiar Maria Helena Brito Izzo, que afirma: “Hoje, os homens sentem-se mais à vontade para exercer a paternidade participativa. Eles trocam fraldas, dão mamadeira, vão a reuniões de escola, cozinham, cuidam dos filhos e sentem-se muito bem com essas novas possibilidades. O perfil ideal de pai, nos nossos dias, é do homem que ama, demonstra seu amor, apoia, corrige, orienta, estimula, dialoga, dá bom exemplo como cidadão, respeita o próximo, admite os próprios erros e perdoa os erros dos outros. Sua autoridade fundamenta-se, principalmente, no exemplo que dá. Não é imposta, mas conquistada por suas atitudes.
Ao gerar um filho, cada homem deve esforçar-se para chegar perto desse ideal, pois a criança não veio ao mundo porque quis. O homem contemporâneo é bem informado e sabe que a paternidade é responsabilidade dele, pois a concepção de um filho não depende só da mulher.”
Timbrando essas palavras com um fervoroso ‘amém’, externamos aqui os votos de um Dia dos Pais marcado pelo carinho, a alegria e a harmonia familiar a todos os que têm filhos... e que sejam muito felizes em sua sacrossanta missão de pais de primeira viagem, o Douglas, com sua Jaque, e o pequenino Antônio.